domingo, 15 de janeiro de 2012

Sonhei com você, Olívia.


Sonhei com você, Olivia.
Tantos anos depois da tua morte.
E eu me pergunto:
Será que você morreu?

E no meu sonho você não tinha mudado
Sequer uma vírgula.
Você era negra,
Encantadora,
Velha (aos meus olhos)
Contadora de histórias da família,
Sabida,
Sábia.

Sonhei com você,
Esta noite,
Olívia.

Sonhei com o Dinho,
Teu sobrinho.
Sonhei com o Tito,
Teu filho.
Sonhei com as crianças,
Sonhei com Tatuí, sonhei com o trem
Que me levava de Sorocaba a tua casa.

Quando acordei reconheci
Eu não mais me lembro do teu rosto.
Pouco da tua voz.
Senti vergonha
Porque eu te amo.
Mas nunca tive a coragem de dizer.

É que eu não fui criado para essas coisas de carinho,
De afeto.
Não me lembro de tê-la tocado.
Não me lembro de ter agradecido
Os dias e noites que passei na tua casa,
Rodeado de espíritos benignos,
Carnavais.

Maria do Carmo,
Carmo.

Acho que nunca encostei em você,
Minha tia Olívia.
Mas minha alma te conhece,
Minha alma te reconhece como anjo.

E aquele quadro que você,
Na minha lembrança,
Mantém na parede do quarto,
Me protege até hoje:
Aquelas crianças nunca cairão no abismo.

Sabe,
Às vezes quero aqueles lança-perfumes
Que você guarda lá em cima, de seu guarda-roupas.
Sabe,
Às vezes eu quero desaparecer
Quando chego a pensar que nada disso mais existe.

Pariquera-Açu, 12/01/2012

Na sua ausência



Na sua ausência
A cidade muda
Tão completamente
Que parece pesadelo
Viagem no tempo
Quando não existíamos
E não havia possibilidade de ser feliz.

Pariquera-Açu, 08/01/2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Quero que você vá ao jardim


Quero que você vá ao jardim
E colha quantas rosas quiser
(Brancas, vermelhas, amarelas...)
Pois eu as plantei
Para que lhe façam companhia
Enquanto meu espírito vaga longe
Enquanto enfrento meus inimigos
Enquanto adio a felicidade que terei
E enquanto morro a cada dia
Até que eu possa
Pousar nos braços seus
A minha saudade
E todo o meu amor.

Pariquera-Açu, 04/01/2012