quarta-feira, 7 de março de 2012

Poema para quem dele quiser se apropriar



Seja tonta,
ajeite o jardim:
plante flores.
varra a sala,
aguarde visita, apaixone-se por alguém.
Esqueça quem não te deu valor.
S tiver filhos:
cuide deles!
Estude,
trabalhe,
seja independente.
Chore,
ria.
Não tenha medo
do mistério
pois não há mistérios.

Eu não sei perdoar



Eu não sei perdoar
nem dançar,
pilotar avião
ou balão.


Não sei nadar,
tocar violão,
cantar.


Eu não sei perdoar,
meu Deus.
Isso não me faz
melhor
nem pior.


Só sei 
que me reservo  o direito
de não olhar,
ouvir
ou conversar
com quem eu não sei perdoar.


Pariquera-Açu, 04/03/2012

sábado, 3 de março de 2012

O coleiro


Aquele coleiro
E a sua linda melodia
Cantada no ponteiro da cerca
Não é o mesmo que observei
Atento
Há quarenta e poucos anos
No sítio de meu avô

Da mesma forma
Tenho pensado
Teria sido eu aquela criança observadora?
Mas eu mudei tanto
E não queria ter mudado

Não gostaria de ser
Este homem transformado
E frio
Incapaz de encontrar beleza 
Nas mínimas coisas
Que nos são postas
Num dia de vida
A cada vez.

A palavra


Algumas pessoas
Não precisam da palavra
Necessitam apenas do som ou eco
Que delas vêm
Seja pra dançar
Seja pra distrair o espirito
Que não percebem
Mas possuem
Que não discutem
Nem sofrem
Pois não têm noção
Mesmo assim
Prefiro não acreditar.

Bolo de chocolate (que eu sei que você gosta)


Um pedaço de bolo de chocolate,
Um refrigerante e você.
Perdidos num lugar qualquer
Que não precisa ter nome
Que não precisa ter história
Porque  o que importa nessa hora
É a nossa história.
É o bolo.
É o refrigerante.
É você.

A estupidez humana


A ideia é transformar a estupidez humana em poesia
Pura magia
Não me interessa explicar
Não me interessa entender
Não é ciência exata
Química
Ou matemática.

A metamorfose não retira
Da borboleta
A condição de nascimento:
Vida e morte.

Se somos deuses aqui na Terra
É por pouco tempo
Só até que se tenha a alma extinta.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Namorados (Adivinha o quanto te amo?)



Andávamos por uma estrada sozinhos,
O meu coração e o dela,
Os meus pensamentos e os dela...
Quando, repentinamente, surgiu este diálogo:
- Adivinha o quanto te amo?
- Da altura daquela árvore mais alta desta mata, respondi.
- Eu te amo o dobro da distancia que já percorremos juntos de mãos dadas, respondeu.
- Te amo até a lua, completei.
- E eu até a lua... Ida e volta, ela me falou sorrindo.
Nós nos abraçamos e prosseguimos.
Desta vez calados.

(inspirada em fábula de Sam Mc Bratney e em Manuel Bandeira)

Pariquera-Açu, 01/03/2012.